sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Palmela contra criação do Sistema Multimunicipal de Abastecimento de Água e de Saneamento de Lisboa e Vale do Tejo


A Câmara Municipal de Palmela aprovou, por maioria, com o voto contra do Vereador Paulo Ribeiro (coligação PPD-PSD/CDS-PP) dar parecer negativo à proposta de Decreto-lei de criação do Sistema Multimunicipal de Águas e Saneamento de Lisboa e Vale do Tejo, remetida pelo Ministério do Ambiente e Ordenamento do Território.

O presente Decreto-lei surge na sequência de um longo processo, contra o qual Palmela, bem como os municípios da região, se insurgiram, já, por diversas vezes, e que aponta para um modelo conducente à privatização dos serviços de água e de saneamento, com apropriação de um património público, construído pelas autarquias e pelas populações ao longo dos últimos quarenta anos. A estratégia tem sido construída à margem e contra a vontade dos municípios – cuja competência própria nesta área é desrespeitada, passando a integrar um conselho consultivo, sem intervenção direta na gestão do sistema - e constitui uma ameaça para o serviço público, deixando os consumidores à mercê dos grupos económicos, com aumentos gravosos das tarifas, já preconizados nos novos estatutos da entidade reguladora ERSAR.

O Sistema Multimunicipal para a região de Lisboa e Vale do Tejo pretende agregar oito sistemas multimunicipais já existentes, entre os quais, a Simarsul, que integramos, sob pretexto de obtenção de economias de escala que garantam sustentabilidade económica, social e ambiental dos serviços – os mesmos objetivos que presidiram à criação dos atuais sistemas, mas que não se têm verificado, devido ao contexto de crise, e em muito, também, pela edificação de um regime jurídico de enquadramento altamente penalizador, que considera a água e o saneamento não como direitos essenciais para a vida e o bem-estar das populações, mas como produtos de mercado.

A Câmara Municipal de Palmela rejeita, assim, a proposta de Decreto-lei e recusa aderir ao sistema, exigindo, pelo contrário, a manutenção do atual Sistema Integrado Multimunicipal de Águas Residuais da Península de Setúbal e da sua entidade gestora, a Simarsul, bem como o cumprimento dos pressupostos que estiveram na sua base e a retificação dos fatores que estão na origem da atual insustentabilidade. Aqui, destacam-se, entre outros, a eliminação do valor da atual remuneração de capitais no sistema público, o cumprimento das responsabilidades por parte do Estado na sustentabilidade do sistema e nos pressupostos de adesão do município, a implementação de uma estrutura tarifária adequada à realidade económica e social dos territórios dos municípios com tarifas atualizadas, no limite, à taxa de inflação, o aumento das comparticipações comunitárias e a rápida concretização dos investimentos previstos aquando da adesão ao sistema, entre os quais, os sistemas de Brejos do Assa/Montado e Bairro Mesquita.

O Município assume que este parecer negativo tem caráter vinculativo e, caso o mesmo seja desrespeitado, desenvolverá todas as ações ao seu alcance, nos planos institucional, político e judicial, para impedir a concretização desta proposta de Decreto-lei, na defesa intransigente das populações, do serviço público de água e saneamento e da autonomia do Poder Local.